Crítica | Ragnarok 2ª Temporada: Série melhora o ritmo, mas repete erro do primeiro ano

A 2ª Temporada de "Ragnarok", série de mitologia nórdica da Netflix, estreou ontem. Confira o que achamos dos novos episódios!



Ragnarok Netflix

Após um ano da exibição de sua primeira temporada, a Netflix disponibilizou ontem (27) seis episódios inéditos de Ragnarok“, série original norueguesa que tem inspiração em contos e lendas da mitologia nórdica. O sucesso do seu primeiro ano garantiu que o título fosse renovado dois meses após o inicio de sua exibição, e a recepção tem sido semelhante agora: com um dia de exibição, a série já ocupa o 1° lugar no Top 10 da Netflix Brasil.

Com o lançamento dos novos episódios, os fãs conseguiram ter respostas para as diversas perguntas que ficaram abertas no primeiro ano da série, como as questões sobre o futuro de Magne e a existência de outros deuses, já que o protagonista estaria em desvantagem se fosse enfrentar os quatro Jutul sozinho.



Ontem, o Sobre Sagas disponibilizou aqui no site nossas primeiras impressões sobre a nova temporada, onde foram pontuadas algumas melhorias percebidas nos três episódios inicias da série. Para a alegria dos fãs, a maioria dessas melhorias se repetem nos três capítulos finais do drama, cuja maturidade narrativa é visível se compararmos os dois anos do título.



Boa parte desse amadurecimento se deu pelos produtores terem finalmente escolhido um gênero cinematográfico para seguir com o enredo: ao invés da dúvida entre drama, fantasia e política estabelecida em sua primeira temporada, a série assume que a mitologia é o seu ponto central, e, a partir dessa premissa, todos os outros elementos narrativos passam a circular esse núcleo.





É claro que, para manter a consistência, Ragnarokainda apresente críticas importantes sobre ecologia e os conflitos que se estabelecem no cotidiano dos jovens, mas esses temas ganham maior naturalidade e fluidez como subtópicos do roteiro. Essa alteração de enfoque é percebida, inclusive, nas locações utilizadas pela série, já que ambientes como a escola de Edda e as Indústrias Jutul aparecem bem menos do que nos episódios anteriores.

Ragnarok: temas secundários são mais fluidos na 2ª temporada da série (Imagem: Divulgação/Netflix).

A fotografia clara e acinzentada de Philippe Kress (Riviera; Rei Charles III) é mantida por Niels A .Hansen, que traduz o clima frio e sombrio da Noruega que colabora para o clima de tensão constante da série. A trilha sonora do compositor Haldfan E também é fundamental para a construção do clima de suspense dos episódios, que, apesar de multifocais, conseguem prender a atenção dos espectadores entre os capítulos.

Em relação ao elenco, é impossível acompanhar o trabalho de Danu Sunth, a Iman Vellani, e não se apaixonar pelos encantos da personagem. Carismática até o ponto necessário, Sunth participou de apenas três episódios na primeira temporada, e agora se apresenta como uma jovem madura e decidida cujo ímpeto contribui bastante para a evolução da narrativa, já que, ao contrário de Magne, os conflitos externos não a impedem de agir no momento correto.

Danu Suth Ragnarok
Iman Vellani: personagem de Danu Sunth ganha destaque na nova temporada (Imagem: Divulgação/Netflix).

Em meio a tantos acertos, que fazem o novo ano ser mais envolvente e inspirador, a produção de Ragnarokrepete um erro que deixou diversos fãs desanimados no primeiro ano: o terceiro ato não tem a força que merece. Com o suspense ascendente dos seus episódios anteriores, era de se esperar que a série apresentasse um conflito épico em seu episódio final, mas isso não ocorre novamente.

Em seu primeiro ano, o conflito direto entre Magne e Vidar durou menos de 6 minutos. Por um lado, essa decisão pode ter deixado os fãs ansiosos para a temporada seguinte, mas, por outro, não corresponde às expectativas que o próprio roteiro criou. O mesmo acontece na 2ª temporada: mesmo com um season finale conciso e emocionante em seu início, o terceiro ato da série é rápido, fácil e sem muita emoção. Não chega a ser tão morno quanto o da primeira temporada, mas, ainda assim, merecia mais atenção.





Novamente, as promessas futuras são grandiosas, e uma possível terceira temporada de Ragnarokpode justificar o fato da Netflix estar postergando um conflito épico entre deuses e gigantes, mas, como temporada isolada, o 2° ano da série merecia um desfecho que honrasse sua evolução narrativa e amadurecimento fantástico.

Nota Ragnarok

Assista ao trailer da 2ª temporada de Ragnarok:

Arquiteto e Urbanista pós-graduando em Cenografia. Editor-Chefe e administrador do Sobre Sagas desde 2013. Apaixonado por adaptações cinematográficas, especialmente de fantasia.
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