JOHNNY DEPP | Chefes de Estúdio dizem que a carreira do ator acabou

"Implosão" da carreira de Johnny Depp vira capa da próxima edição da revista "The Hollywood Reporter", que traz dossiê sobre ator.

A relação entre os grandes Estúdios de Hollywood e Johnny Depp não está nos seus melhores tempos. Foi divulgada pelo The Hollywood Reporter hoje (9) uma matéria completa sobre o ator, que estampará a capa da nova edição da Revista. O texto, intitulado “‘Ele é Radioativo:’ Por dentro da implosão criada por Johnny Depp”, fala um pouco sobre a real situação de sua carreira.

De acordo com o THR, a carreira do astro foi de mal à pior nos últimos 4 anos. Saindo da lista de um dos mais requisitados de Hollywood, atualmente ele é visto como persona non grata pelos estúdios. Tudo começou a desandar quando a denúncia de que ele cometeu violência doméstica contra sua ex-esposa, Amber Heard, estampou os jornais em 2016. Desde então, tudo o que se tem são textos sensíveis, e-mails e piadas violentas movidas por drogas. Segundo o tablóide, Depp não foi alcançado para comentar sobre o assunto.

O THR ilustrou com números como ocorreu a implosão na carreira: em sua época de maior sucesso, Depp chegou a ganhar mais de US$50 milhões por contrato, como ocorreu com as porcentagens de Alice no País das Maravilhas (2010). Por sua última produção que estreia em fevereiro de 2021, Minamata, o ator irá receber US$3 milhões pelo papel.

Johnny Depp ao deixar uma das audiências do processo que movia contra o The Sun, no Reino Unido.

A situação ficou ainda mais complicada após ele perder o processo contra o jornal britânico The Sun, que o chamou de “espancador de esposas“. Segundo o The Hollywood Reporter, o ator perdeu e está recorrendo em pelo menos 6 processos, e em todos eles é enxergado como alguém que perdeu o controle, vítima da cultura bajuladora de Hollywood, onde seus gastos excessivos e abusos de drogas nunca eram contestados. Até então.

Para o THR, a carreira de Depp não tomará um rumo bom durante os próximos anos. “Você não pode simplesmente trabalhar com ele agora“, disse um chefe de estúdio. “Ele é radioativo“. O comportamento do ator era tolerado pela Warner Bros quando era chefiada pelo CEO Kevin Tsujihara, além disso, ele contava com a confiança de J.K. Rowling, produtora executiva de Animais Fantásticos. Após o veredito do The Sun, não mais. O ator foi demitido da produção tendo apenas uma cena gravada para o terceiro filme da franquia, pelo qual ele recebeu US$16 milhões de rescisão.

Disney optou por cortar os laços com o ator antes mesmo do resultado do processo contra o The Sun. Depp não participará mais da franquia Piratas do Caribe.

A Disney, que agora é dona da 21th Century Fox, chegou a cortar os laços ainda antes do julgamento britânico. O estúdio optou por não correr o risco de ter o ator nos possíveis futuros filmes da franquia Piratas do Caribe, em que ele era protagonista. Jerry Bruckheimer, produtor da franquia que ainda segurava Depp em diversas oportunidades, teve seu relacionamento com o ator desgastado após tantas polêmicas .

Outro executivo de estúdio que trabalhou com Depp nos últimos anos afirmou que seus “demônios internos” infiltraram em sua vida profissional, tornando-o “uma grande responsabilidade” pelos atrasos frequentes e comportamento caro. “Só a descoberta do que saiu naquele julgamento já seria suficiente para assustar qualquer estúdio“, afirmou.

Segundo a matéria, uma das únicas possíveis vantagens em contratar Depp seria o exército de fãs que o ator tem nas redes sociais. De acordo com o tabloide, eles estão entre os mais leais e estridentes do twitter: elogiam o ator, atacam pessoas relacionadas à Amber e postam gravações de áudio exclusivas da briga (editadas de uma forma que favoreçam o ídolo).

Roberta Kaplan, co-fundadora da Time’s Up Legal Defense, já denunciou comportamento dos fãs do ator.

Roberta Kaplan, co-fundadora da Time’s Up Legal Defense, instituição que apoia mulheres que foram vítimas de violência doméstica, acredita que o exército é formado por fãs e bots de ponta: “Tenho clientes que estão processando Donald Trump. Mas, de longe, o único caso que gerou a maior quantidade de hostilidade nas redes sociais são os ataques de Johnny Depp contra Amber Heard“, disse a executiva.

Para finalizar, a revista utilizou a fala de um especialista em crises para reafirmar o estado em que se encontra a carreira do ator: “Johnny Depp é o pior cenário para lidar com relações públicas ruins. Eu o uso como modelo para dizer aos meus clientes o que não fazer. Não é o caso de atirar no próprio pé. Ele atirou no próprio rosto.

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Contra-ponto

Embora Johnny Depp não tenha sido alcançado para comentar sobre a matéria, o The Hollywood Reporter também ouviu pessoas que ainda acreditam na carreira do ator: segundo o presidente da Marketing Evaluations, empresa que mede a familiaridade e o apelo de algumas estrelas, o ator ainda tem chances de ascenção.

Ele continua sendo um dos atores mais atraentes, embora tenha havido certa queda“, disse o executivo. “Francamente, existem pessoas que prestam atenção em sua vida privada. E algumas outras tendem a ignorar isso e tudo o que importa é: ‘Ele me diverte’? Mas, a não ser que haja outro Jack Sparrow na frente, o que realmente funcionaria a seu favor, eu não esperaria que sua pontuação Q positiva subisse nos próximos um ou dois anos“.

Segundo a matéria, fora dos Estados Unidos, em países sem o impacto do #MeToo e onde alegações de abuso têm menos influência, o ator pode ter alguma chance. “É como Mel Gibson. Ninguém está dizendo que não vamos ver este filme ou não vamos comprar este DVD porque é Mel Gibson“, disse Erik Engelen, executivo alemão da Splendid Film. “O público em geral não gosta muito de toda a personalidade das coisas como pensamos às vezes. Johnny Depp ainda é uma grande estrela. E o fato dele estar voltando ao mundo independente talvez seja uma coisa boa para esta carreira. Do ponto de vista ciativo, há mais para se fazer lá do que no mundo dos estúdios“.

A matéria de capa do The Hollywood Reporter pode ser conferida através deste link.

Arquiteto e Urbanista aficionado por Cenografia e Cinema. Administrador do Sobre Sagas desde 2013 e apaixonado por adaptações cinematográficas, especialmente de fantasia.
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