Conheça a história real que inspirou o filme “O Caso Collini”

O suspense criminal O Caso Collini estreou na semana passada na Netflix e tem deixado muitas pessoas se perguntando qual foi a história real que inspirou o filme.

Produção alemã, o filme não é um lançamento do streaming, já que estreou nos cinemas mundiais em 2019 e já na época levantou várias questões sobre seu pano de fundo relacionado à Segunda Guerra Mundial.

Baseado no best seller do escritor alemão Ferdinand von Schirach, o enredo de O Caso Collini apresenta profundas ligações com um caso real de julgamento ocorrido na Alemanha no início dos anos 2000, mas também traz um viés muito mais pessoal em relação ao autor do livro.

Confira a seguir mais detalhes sobre os fatos que ajudaram a construir a trama de O Caso Collini.

Atenção, os tópicos a seguir contém spoilers do filme.

Sobre O Caso Collini

Em O Caso Collini, o jovem advogado Caspar Leinen (Elyas M’Barek) é escolhido como o defensor público de Fabrizio Collini (Franco Nero) em um caso de assassinato.

Logo no início da investigação, Leinen descobre que está ligado de forma pessoal ao crime e deve reunir todo seu conhecimento para entender qual foi a motivação de seu cliente.

A partir de então, um dos maiores escândalos judiciais da história da Alemanha está prestes a vir à tona.

História real de O Caso Collini

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O enredo de O Caso Collini, como dito, é baseado no livro de mesmo nome do escritor Ferdinand von Schirach. O autor acabou se inspirando em um escandaloso caso judicial acontecido na Alemanha, no entanto, é importante saber que o enredo geral do assassinato cometido no filme é puramente ficcional.

No caso, o autor usou a história real no pano de fundo de sua história, ou seja, a motivação do personagem Fabrizio Collini para dar fim à vida de Hans Meyer. Além disso, fatos da própria vida do autor também foram acrescidos a história.

A “Anistia Fria”

Como fica claro no filme, a motivação de Collini para matar Meyer foi a vingança, já que no passado o empresário acabou sendo absolvido de seus crimes como nazista na Segunda Guerra Mundial devido a uma lei absurda instituída em 1968.

Pois bem, o principal fato que inspirou a criação de O Caso Collini foi justamente essa lei, que foi realmente sancionada em 1968 e acabou livrando a cara de milhares de oficiais do regime Nazista.

O chamado Ato Introdutório à Lei de Contra-Ordenação foi introduzido nas leis alemãs pelo então promotor, e nazista, Eduard Dreher, que naquela época era advogado do Ministério da Justiça Federal.

A partir dessa lei, diversos crimes de oficiais do regime de Adolf Hitler, incluindo assassinatos, não poderiam ser julgados a partir de 8 de maio de 1960, rebaixando esses criminosos ao rótulo de “assistentes de homicídio”.

Com isso, apenas os “peixes grandes” do regime, como o próprio Hitler e outros oficiais de altas patentes, eram realmente culpabilizados, ainda que boa parte desses simplesmente nunca tenha realmente pagado por seus crimes.

O Caso de Friedrich Engel

Além da lei real na qual o pano de fundo foi baseado, o próprio personagem Hans Meyer assumiu características inspiradas em um nazista real.

Friedrich Engel foi um dos oficiais nazistas que serviu de modelo para a construção de Meyer.

Conhecido como “o açougueiro de Gênova”, Engel teve papel principal no assassinato de prisioneiros italianos em Gênova em 1944. O ato teria sido um tipo de retaliação devido a ataques partidários contra soldados alemães.

Ele foi julgado no tribunal de Hamburgo na Alemanha em 2002 e acabou sendo condenado a sete anos de prisão pela confirmação de 59 das 246 acusações que tinha. No entanto, devido à sua idade (na época além dos 90 anos), a sentença foi suspensa.

Mais tarde, em 2004, a sentença acabou sendo anulada completamente por outro tribunal da Alemanha, sob alegação de que, apesar de ordenar as execuções, as questões de homicídio criminoso não foi provado (possivelmente com base na lei da “anistia fria”).

Com isso, o nazista morreu em liberdade em 2006, sem nunca ter pagado por seus atos.

Um avô nazista

Para além de Engel, o autor de O Caso Collini revelou que outra história real na qual baseou o personagem Hans Meyer foi a de seu próprio avô, que na Segunda Guerra Mundial foi um dos líderes da chama Juventude Hitlerista.

Baldur von Schirach, avô de Ferdinand, se juntou ao Partido Nazista aos 18 anos e em pouco tempo se tornou um dos líderes dos oficiais mais jovens do regime.

Segundo entrevista de Ferdinand à revista Der Spiegel, ele descobriu sobre o passado sombrio do avô quando tinha 12 anos, por meio de um livro de história. Seu avô foi responsável pela deportação de milhares de judeus da estação de Viena para campos de concentração.

Com isso, após anos de pesquisa, o autor decidiu confrontar o passado nazista de sua família ao criar um personagem que também era um avô com um passado vergonhoso e obscuro.

Diferente de Hans Meyer, o avô de Ferdinand von Schirach foi julgado e condenado a 20 anos de prisão por crimes contra a humanidade.

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E você, o que achou de O Caso Collini disponível na Netflix e da história real na qual ele foi inspirado? Conta para a gente aqui nos comentários.

Aline ResendeFormada em Marketing e pós graduanda do curso de Língua Portuguesa e Literatura. Trabalha na área de comunicação como Criadora de Conteúdo além de fazer trabalhos de atuação e locução para materiais em vídeo. Pseudo-cinéfila e apaixonada por todo universo Geek.
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