CIDADE INVISÍVEL | Conheça os mitos e lendas que inspiraram a série

Curupira, Cuca, Saci, Iara e Tutu. Você conhece todas as lendas por trás de "Cidade Invisível", da Netflix? Se não, está no lugar certo.



Cidade Invisível“, série brasileira de Carlos Saldanha, chegou à Netflix na última sexta (5) e, atualmente, já ocupa o primeiro lugar do TOP 10 nacional do serviço de streaming. A trama segue o detetive Eric, que atormentado pela morte da esposa, se envolve em uma batalha entre o mundo visível e uma realidade fantástica habitada por diversas criaturas do folclore brasileiro.

Muitas pessoas que cresceram em meio à tantos mitos e lendas não terão dificuldade em reconhecer algumas delas, como a Cuca e o Saci Pererê.  Ainda assim, alguns são mais regionais e você pode não saber muito sobre suas origens. Por isso, o Sobre Sagas compilou as origens dos mitos e lendas que são retratados na série, para que você conheça ainda melhor essa representação fantástica do nosso folclore.



Aqui, vale lembrar que esta matéria terá spoilers e imagens da primeira temporada de “Cidade Invisível, cujos episódios você pode assistir na Netflix.



Curupira

Curupira em Cidade Invisível

Curupira, o demônio da floresta, é o protetor das matas e da caça. Ele é responsável pelos barulhos misteriosos, desaparecimento dos caçadores e esquecimento dos caminhos. Esperto, ele negocia com caçadores armas que nunca falham em troca de comida e outros presentes, mas se a pessoa está caçando por gosto ou sem necessidade, ele é implacável: é capaz de fazer a arma ou a flecha do caçador voltar-se contra ele mesmo.





Sobre sua aparência, a única unanimidade é seus pés virados para trás, o que faz com que quem o procure se perca nos caminhos. Em algumas regiões, ele é descrito com os cabelos em chamas. Em outras, ele aparece careca. O Curupira também não tem articulações nas pernas e conta com orelhas enormes. Uma das formas de se livrar dele é deixar cipós trançados pelo caminho, o que o obriga a parar para desfazer os nós e assim, ganhar tempo para fugir.

Iara

Iara em Cidade Invisível

No Brasil, há muitas lendas sobre a origem da Iara, mas a mais famosa delas narra que ela era uma guerreira indígena muito inteligente e corajosa, o que causava inveja em seus irmãos. Eles chegaram a planejar sua morte, mas sendo mais inteligente, Iara descobriu e os matou primeiro. Seu pai, revoltado, a lançou no Rio Solimões como castigo. Os peixes a salvaram da morte, e por ser uma noite de lua cheia, ela se transformou em uma bela sereia.

Iara tem seus poderes ligados ao seu canto, que atrai homens para o fundo do mar, onde morrem. Sua aparência, no folclore brasileiro, é descrita como um demônio dos rios: uma indígena de beleza rara, metade mulher e metade peixe. Ela é responsável por cavar a ribanceira dos rios e atrapalhar embarcações de pescadores. Algumas vezes, se transforma em um cágado e, quando tocada por alguém, se transforma novamente na Mãe-d’água, lançando seus poderes sobre quem a tocou.

Tutu

Tutu Marambá, parente do Bicho-Papão e do Boi da Cara Preta, é uma criatura escura que não tem forma discernível. Um dos seres menos populares de “Cidade Invisível“,  seu nome vem do termo quitutu, que significa “papão” ou “ogro”. Embora não seja tão famoso quanto o irmão Bicho-Papão, foi responsável por assustar muitas crianças no interior da Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Na Bahia, mais especificamente, ele ganha a forma de um grande porco-do-mato, dada a semelhança de seu nome com o caititu, um porco selvagem que também é a montaria preferida do Caipora, entidade folclórica do Norte. A lenda diz que Tutu persegue as crianças malcomportadas e que se recusam a dormir.

Saci Pererê

Saci em Cidade Invisível




Um dos personagens mais conhecidos do nosso folclore, a lenda do Saci Pererê foi bastante popularizada após “Sítio do Pica-Pau Amarelo“, obra de Monteiro Lobato. Descrito como um diabinho de uma perna só, ele é responsável por todo tipo de travessura: azedar leite, embaraçar novelos, quebrar ponta de agulha, virar pregos de cabeça pra baixo, entre outras tantas.

No Brasil, o Saci é conhecido por duas formas: o Saci-Ave e o Saci-Negrinho. A primeira diz respeito à uma ave que se parece com o anu-branco, um pássaro de bico vermelho. A ave demoníaca faz maldades pelas estradas e faz com que viajantes percam o rumo.

A versão mais conhecida, a do Saci-Negrinho, é descrita como um negrinho que anda com uma perna só. Sem pelos e órgãos sexuais, ele usa uma carapuça vermelha, fuma um longo cachimbo e solta fumaça pelos olhos. Possui apenas três dedos em cada mão, e no meio delas tem um furo. Diz a lenda que quem conseguir tirar sua carapuça terá riquezas sem fim, e o próprio Saci pode ajuda-lo a encontrar coisas perdidas. Para captura-lo, é necessário encontrar o redemoinho no qual ele se move e lançar uma peneira trançada em forma de cruz.

Cuca

Cuca em Cidade Invisível

Também popularizada pela obra de Monteiro Lobato, a Cuca é uma velha bruxa que está presente, especialmente, em canções de ninar. Descrita como uma velha feia e desgrenhada que aparece para levar crianças que se recusam a dormir, a Cuca dorme apenas a cada sete anos e anda pelos telhados das casas durante a noite. Consegue entrar nas casas pelos buracos das fechaduras, e leva as crianças dentro de um saco.

Em algumas versões (não é o caso de Cidade Invisível), a Cuca é descrita com uma cabeça de jacaré e voz estridente. Para se mover, pode transforma-se em uma coruja, uma borboleta negra ou aranha. Crianças de até sete anos que ainda não foram batizadas são seus alvos preferidos, e para deter a Cuca basta amarra-la em algum local onde um pingo de água caia continuadamente sobre sua cabeça.





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Boto Cor de Rosa

Uma das lendas mais famosas do Norte do Brasil, o Boto Cor de Rosa é um homem bonito e sedutor, um exímio dançarino e bebedor que está sempre vestido de branco e carrega um chapéu em sua cabeça, que esconde o orifício de respiração do Boto. Sua função, na lenda, é seduzir moças e engravida-las durante a noite. Quando nasce o dia, ele vira um boto que protege os rios e as canoas durante os temporais e acompanha embarcações que carreguem mulheres grávidas.

O Boto é uma lenda bastante popular na região amazônica, e aparece frequentemente no período de festas juninas. Lá, acredita-se que ele carrega uma espada presa ao cinto, e quando se transforma, é possível ver que todos seus apetrechos são, na verdade, outros animais aquáticos. A espada se transforma em um poraquê (peixe-elétrico) e o chapéu em arraia. O cinto e sapatos também são outros tipos de peixe.

Corpo-Seco

Na trama de Cidade Invisível, o Corpo-Seco é a entidade que assume a forma de antagonista. Sendo uma das histórias de almas penadas mais famosas em Minas, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, a lenda narra que sempre que alguém é muito cruel e agride os filhos ou os pais, acaba tendo um destino horrível.

Após a morte, nem Deus nem o diabo aceitam a alma deste ser, e até a terra o rejeita. Com seu corpo ressequido expulso, a alma é condenada a vagar pela noite como uma criatura de pele e ossos que faz murchar tudo o que toca. Em algumas regiões, acredita-se que ele ataca quem passa por perto, sugando o sangue como um vampiro.

Arquiteto e Urbanista pós-graduando em Cenografia. Editor-Chefe e administrador do Sobre Sagas desde 2013. Apaixonado por adaptações cinematográficas, especialmente de fantasia.
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